As intenções de voto de eleitores brasileiros e a avaliação de políticas públicas também podem ser avaliados por meio de análises em redes sociais. O artigo “As mídias sociais podem revelar as preferências dos eleitores?”, recém publicado pela revista especializada Journal of Information Technology & Politics, aponta que os resultados desta análise de sentimento podem indicar preferências com uma precisão de apenas 1% a 8% diferente da pesquisa tradicional, que tem uma precisão média de 81%.

Segundo os autores, os pesquisadores Daniel José Silva Oliveira, Paulo Henrique de Souza Bermejo, coordenador do NEXT/UNB, e Pâmela Aparecida dos Santos, o artigo avaliou se dados extraídos das mídias sociais poderiam revelar as preferências políticas dos cidadãos com maior precisão do que as pesquisas de opinião pública tradicionais. Foram analisados 92.441 tweets relacionados aos candidatos presidenciais no segundo turno das eleições em 2014. Os resultados da análise foram comparados com seis pesquisas de preferências realizadas pelo Instituto de Pesquisas Datafolha.

Segundo o artigo, a mídia social fornece aos usuários da Internet um novo espaço no qual se expressam compartilhando seus pensamentos e opiniões sobre vários tópicos. “Cada vez mais, blogs, fóruns na Web e plataformas de redes sociais como Twitter, Facebook, YouTube, Myspace e LinkedIn oferecem aos seus públicos ambientes interativos que permitem a troca de informações, conhecimento, opiniões e emoções, permitindo uma comunicação rápida, aberta e acessível. Isso tornou a mídia social uma excelente fonte de dados para pesquisas de opinião”, descreve o artigo.

A popularidade das plataformas de mídia social foi identificada como a principal forma de envolver os eleitores, já que oferecem novas oportunidades para os cidadãos participarem, debaterem e debaterem o campo político. Neste contexto, o crescente uso de mídias sociais por um público mais variado aumentou a possibilidade de investigar as mídias sociais como uma ferramenta para entender as preferências políticas dos cidadãos.

A escolha do período das eleições presidenciais de 2014 foi definida por permitir avaliar o processo eleitoral brasileiro e monitorar simultaneamente as pesquisas sobre os candidatos nas mídias sociais. O momento gera ainda intenso debate e interação nas mídias sociais. O recorte inclui apenas os candidatos do segundo turno, Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), essa definição permitiu, ainda, a comparação de opiniões polarizadas.

A análise

Os posts publicados na rede social Twitter formou a base de dados da análise, e essa escolha ocorreu por representar uma base concisa e poder ser processada mais eficazmente do que os textos longos de outras plataformas de mídia social. A rede também pode ser usada para identificar a aceitação ou rejeição de um candidato político pela sociedade.

Os resultados da análise foram comparados com a conclusão de seis pesquisas de intenção de voto e rejeição de candidatos conduzidos pela Datafolha. A comparação mostrou que sentimento do eleitor era semelhante nas suas plataformas, mesmo que a “a análise do sentimento não tenha atingido o mesmo nível de precisão das sondagens de opinião tradicionais”.

Para os pesquisadores, a técnica mostrou resultados satisfatórios que elucidam as opiniões dos eleitores. “Assim, o fluxo de informações do Twitter pode ser usado para identificar preferências de eleitores. Embora os usuários do Twitter e outras mídias sociais não sejam necessariamente representativos de toda a população de um país, os resultados mostraram que a análise do sentimento pode indicar as preferências dos eleitores tanto quanto as pesquisas de opinião tradicionais”, avalia o artigo.

Os autores ressaltam ainda o baixo custo envolvido na análise, a grande quantidade de dados livres disponíveis nas mídias sociais e a importância que esses meios têm atualmente para a sociedade como uma forma de disseminação de opinião. Para eles, essa é uma nova maneira de identificar as opiniões positivas e negativas dos cidadãos sobre vários assuntos. Embora os métodos de análise de sentimentos não consigam níveis de precisão superiores aos tradicionais, a análise utilizando dados de redes sociais, como o Twitter por exemplo, pode servir como um complemento à pesquisa tradicional.

Limitações

Entre as limitações do estudo descrita pelos pesquisadores, está o fato de que a análise de sentimentos e as pesquisas de opinião do Instituto Datafolha terem sido realizadas em dois universos diferentes, “ou seja, as opiniões dos usuários do Twitter não representam necessariamente as dos eleitores que não se apresentaram nas mídias sociais”.

Outro aspecto ressaltado pelos pesquisadores é o período estabelecido na pesquisa. Dessa forma, “os resultados da análise de sentimentos apresentados refletem a realidade da eleição presidencial brasileira em 2014, portanto, não podem ser generalizados”. No entanto, o método pode ser aplicado em outros contextos, incluindo as eleições do governo local.