A Universidade como espaço para o empreendedorismo e a inovação no país. Esse é o foco do trabalho apresentado por Humberto Rodrigues Marques, no Mestrado em Administração, na Universidade de Lavras. Uma das conclusões do trabalho, caso as universidades queiram atuar de forma mais eficaz como agentes de conhecimento e inovação, aponta para a necessidade de criação e disseminação de uma cultura de inovação e cooperação. Muitas vezes tal cultura enfrenta resistência dos próprios professores. Marques foi orientado pelo professor Paulo Bermejo, coordenador do Núcleo de P&D para Excelência e Transformação do Setor Público (NEXT) da Universidade de Brasília (UnB).

Na pesquisa, Humberto verificou que, entre os professores com menor grau de formação e que menos colaboraram com empresas, há uma idéia de que é anti-ético comercializar conhecimento da Universidade, pois o conhecimento das instituições de ensino devem ser todos de domínio público. Essa crítica atinge especialmente a questão de criação e patenteamento de novas tecnologias.

Nos três artigos em que se divide o trabalho, o autor aponta que cada vez mais as instituições superiores de ensino tem aberto seu ambiente de inovação como forma de cooperar com entes externos no desenvolvimento de novas tecnologias, mas para isso precisam suplantar desafios.

A necessidade de se identificar e demonstrar a importância que as universidades possuem dentro de um contexto de cooperação com diversos atores é o tema abordado no primeiro artigo de sua dissertação. Marques argumenta que na literatura sobre inovação aberta os estudos se concentram principalmente em setores da indústria.

Já no segundo artigo, Humberto Marques detalha a possibilidade de demonstrar a importância da parceria para a geração de novas tecnologias para as universidades, uma vez que na literatura sobre inovação aberta as pesquisas se concentram nas empresas como unidades de análise. Para o autor, é necessário conhecer os atores com quem as universidades se relacionam, como forma de desenvolver ações mais afirmativas com os principais atores desse relacionamento, assim como desenvolver metodologias para fortalecer as parcerias ainda pouco utilizadas pelas universidades.

Por fim, no terceiro artigo, Marques descreve que as principais contribuições estão na interação entre as universidades e o principal ente externo com quem elas se relacionam, as empresas. O autor identifica a existência de diferença na perspectiva de relacionamento entre universidade-empresa por parte dos principais atores-chave das instituições de ensino, os professores. Dessa forma, é necessário, caso as universidades queiram atuar de forma mais eficaz como agentes de conhecimento e inovação, que uma cultura de inovação e cooperação seja criada e disseminada.